Notas de dólares e de reais: Ibovespa cai e dólar após decisões de juros nos EUA e no Brasil (Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli)
No cenário doméstico, a força do real é sustentada por pilares sólidos na economia e no mercado financeiro
Investiriistoedinheiro.com.br/…/por-b3-bora-investir
O mercado financeiro tem acompanhado um movimento de fortalecimento do real frente a moedas fortes. Apesar do cenário internacional complexo, a moeda brasileira tem se destacado com uma das melhores performances recentes. Para entender a dinâmica que sustenta o câmbio no atual patamar, é preciso observar uma combinação de fluxo de capital estrangeiro, política monetária, balança comercial e o cenário geopolítico.
De acordo com Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o enfraquecimento da moeda americana tem raízes externas recentes. “Desde que Donald Trump assumiu a presidência, nós estamos observando um enfraquecimento do dólar, muito por conta de uma perda do excepcionalismo norte-americano, uma leve deterioração das instituições”, explica o economista. Com isso, investidores passaram a buscar mercados emergentes, beneficiando países como Brasil, Coreia do Sul e Chile com a entrada de fluxo de capital.
Balança comercial e atratividade interna
No cenário doméstico, a força do real é sustentada por pilares sólidos na economia e no mercado financeiro. O diferencial de juros brasileiro tornou o país atrativo para o capital estrangeiro, enquanto os ativos locais em dólar continuam sendo considerados baratos.
Outro ponto que joga a favor da balança é a dinâmica interna: a expectativa é que a atividade econômica brasileira cresça menos em 2026 na comparação com 2025, o que deve contribuir para uma desaceleração das importações.
Em relação à política monetária global, o mercado vive uma expectativa sobre como as instituições reagirão às pressões inflacionárias de curto prazo. A perspectiva é que o Banco Central Europeu e o Banco Central dos Estados Unidos mantenham os juros nos atuais patamares até compreenderem o comportamento da inflação após os recentes conflitos.
No Brasil, a expectativa é de que o Banco Central reduza os juros de forma cautelosa.
A entrada de recursos externos também mostra sinais de resiliência. O investimento estrangeiro direto (IED) apresentou melhora nos últimos meses, situando-se em torno de 3,24% do PIB. O país conta ainda com um importante amortecedor contra a volatilidade global: as reservas internacionais, que atingiram o nível robusto de 371 bilhões de dólares em fevereiro.