Marcio França, à esquerda na foto, seguido por Simone Tebet, Lula, Marina e Haddad. (Foto: Reprodução/Instagram/@marciofrancasp).
Maioria dos antigos integrantes do governo fica pelo caminho em disputas por governos estaduais e Senado
Pedro Taquari –
Apenas 9 dos 22 ex-ministros de Luiz Inácio Lula da Silva que deixaram o governo para disputar as eleições de 2026 conseguiram se eleger no primeiro turno.
O resultado representa menos da metade dos integrantes do antigo primeiro escalão que entraram na corrida eleitoral.
O desempenho foi especialmente desfavorável nas disputas majoritárias.
Nenhum dos ex-ministros que concorreram ao governo estadual conseguiu vencer no primeiro turno.
Em São Paulo, Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda, foi derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Haddad teve Márcio França (PSB), também ex-ministro de Lula, como candidato a vice na chapa.
Em Alagoas, outro integrante do antigo governo também ficou pelo caminho, Renan Filho (MDB), que comandou o Ministério dos Transportes, terminou atrás de JHC (PSDB), eleito governador no primeiro turno.
O emedebista obteve 47,37% dos votos, enquanto JHC chegou a 52,20%.
A disputa pelo Senado também trouxe derrotas importantes para nomes que ocuparam ministérios no governo Lula.
Entre os oito ex-ministros que concorreram às duas vagas em seus respectivos Estados, Rui Costa (PT), ex-chefe da Casa Civil, foi eleito pela Bahia, enquanto André Fufuca (PP), ex-ministro do Esporte, conquistou uma cadeira pelo Maranhão.
Outros nomes de destaque não conseguiram chegar ao Senado.
Em São Paulo, as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet foram derrotadas por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos apoiados pelo senador Flávio Bolsonaro.
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), que comandou o Ministério das Relações Institucionais, perdeu para Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
Também ficaram fora do Senado Carlos Fávaro (PSD), ex-ministro da Agricultura, em Mato Grosso; Celso Sabino (União), ex-ministro do Turismo, no Pará; e Paulo Pimenta (PT), ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social, no Rio Grande do Sul.
No caso gaúcho, as duas vagas ficaram com Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo).
O resultado foi melhor entre os ex-integrantes do governo que buscaram uma vaga na Câmara dos Deputados.
Dos nove que disputaram o cargo, seis foram eleitos: Anielle Franco (PT-RJ), Jader Barbalho Filho (MDB-PA), Juscelino Filho (PSDB-MA), Nísia Trindade (PT-RJ), Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE) e Sônia Guajajara (PSOL-SP).
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Macaé Evaristo (PT), ex-ministra dos Direitos Humanos, foi a única integrante do grupo a disputar uma vaga estadual e conseguiu se eleger.
Entre os derrotados na Câmara estão Daniela Carneiro (Republicanos-RJ), ex-ministra do Turismo; Márcio Macêdo (PT-SE), que comandou a Secretaria-Geral da Presidência; e Paulo Teixeira (PT-SP), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário.
O levantamento considera os 22 ex-ministros que efetivamente deixaram suas funções no governo para disputar cargos nas eleições de 2026.
Ao todo, 30 ministros haviam deixado o governo desde o início do terceiro mandato de Lula, mas apenas 22 entraram na disputa eleitoral.
O presidente havia incentivado a saída de integrantes do primeiro escalão para fortalecer candidaturas e ampliar a presença de aliados no Congresso.
Enquanto parte dos ex-ministros encerra a disputa eleitoral com mandato garantido, Geraldo Alckmin (PSB), que também ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, continua na corrida presidencial como vice na chapa de Lula.
A disputa pelo Palácio do Planalto terá segundo turno em 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).