Christa Pike sobreviveu a duas doses da injeção letal em uma tentativa de execucação nos EUA. Estado de saúde dela é crítico
“Minha preocupação com o método de injeção letal é simplesmente que não tenho boas veias e estou preocupado com a possibilidade de nosso médico não ser qualificado para inserir um cateter venoso central em mim”, disse Pike em um vídeo obtido pelo New York Times.
Uma falha da injeção letal é extremante rara. Segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte, o que ocorreu com Pike é “algo único e sem paralelo”.
Em maio, também no Tennessee, as autoridades penitenciárias desistiram da tentativa de execução de
Tony Carruthers após não encontrarem uma veia adequada. Eles tentaram inserir o acesso venoso por cerca de 1h30 antes de o processo ser interrompido.
“Tony Carruthers viveu o meu pior pesadelo. Detalhe por detalhe. E eu não quero passar por isso”, disse Christa Pike, relembrando o caso.
No vídeo, ela também fala sobre boatos de que o pentobarbital, remédio usado na injeção letal, seria comparável ao Drano, um produto químico usado para desentupir pias.
“A droga… supostamente causa uma queimação muito forte. E isso me assusta, porque usaram a palavra Drano para se referir a ela, e a ideia de sufocar e me afogar nos meus próprios fluidos corporais e sangue não me agrada nem um pouco.”
O entobarbital é geralmente usado para eutanásia. São administradas doses de 2 a 10 gramas, que causam coma seguido de parada da respiração e do coração, provocando a morte em 15 a 30 minutos.
Corredor da morte
Christa Pike se tornaria a primeira mulher em 200 anos a ser executada no Tennessee. Ela estava há 30 anos no corredor da morte por um crime cometido quando ela tinha 18.
Ela e o então namorado foram condenados pelo assassinato e tortura de Colleen Slemmer, uma colega de turma de 19 anos. No vídeo, ela também fala sobre ter se arrependido do crime.
“Estou muito arrependida agora. No começo, quando fui acusada, não estava. Eu não me importava com o que tinha feito ou a quem tinha feito”, disse Pike. “O horror da dor que causei à família dela, à minha família, às famílias dos meus co-réus… Eu afetei este mundo de uma forma tão negativa, quando tudo o que eu sempre quis foi cuidar das pessoas e espalhar amor. Fiz o oposto disso e isso me dói.”