Ex-deputada federal e pré-candidata ao Senado no RS, Manuela D’Ávila – Foto: redes sociais.
Foram R$2,2 milhões e mais R$ 1,7 milhão a receber de parlamentares de esquerda
A candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila (PSOL) tem usado eventos da própria ONG, o Instituto E Se Fosse Você, para fazer discursos de tom eleitoral. A entidade, criada para “combater violência de gênero e de raça”, recebeu cerca de R$ 4 milhões em emendas parlamentares desde 2025.
O instituto obteve R$ 2,2 milhões de parlamentares de esquerda nos últimos dois anos e ainda tem R$ 1,7 milhão a receber. Parte desse dinheiro financiou um festival que recebeu R$ 950 mil em emendas dos deputados Orlando Silva (PCdoB-SP), Natália Bonavides (PT-RN) e Juliana Cardoso (PT-SP), segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo.
No evento, Manuela já falava em ocupar o Senado ao lado de outras mulheres, como Marina Silva e Benedita da Silva. “Já estou me preparando para me confundir na paisagem”, disse. Naquele momento, ainda não era permitido pedir voto.
Além do festival, a ONG destinou R$100 mil de emenda da deputada Carol Dartora (PT-PR), via convênio com o Ministério da Igualdade Racial, para produzir cinco episódios do podcast ElaPod – Vozes das Mulheres, apresentado pela própria Manuela. O custo sai a cerca de R$ 20 mil por episódio. O pagamento foi feito em 16 de janeiro de 2026. Alguns programas tiveram audiência baixa no YouTube, e em pelo menos um deles a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) declarou apoio explícito à candidatura de Manuela ao Senado.
A deputada Bia Kicis (PL-DF) protocolou representação no TCU. Ela alega que o podcast tem caráter personalíssimo, está ligado à imagem da fundadora e contém endosso eleitoral. Kicis também pede fiscalização sem seletividade sobre o volume de emendas recebido pelo instituto. metropoles.com
A assessoria de Manuela afirmou que a maior parte do trabalho do instituto é sustentada com recursos próprios, inclusive pela venda de livros da candidata e de produtos da ONG. Disse ainda que o valor total das emendas cobre outros projetos, como clubes de leitura territoriais e ações de acolhimento a mulheres, e que ela não recebeu notificação do TCU.
O caso entra no debate sobre o uso de emendas parlamentares em ano eleitoral, especialmente quando entidades ligadas a candidatos recebem recursos públicos e promovem atividades em que a própria figura política aparece em destaque.