Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Antonio Augusto/STF).
Ministro afirma que a declaração é incompatível com a relação institucional entre Brasil e Argentina
Mael Vale –
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, criticou neste sábado (25) as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o ministro Alexandre de Moraes (STF) durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo.
Em nota oficial, Fachin afirmou que a manifestação do chefe de Estado argentino é incompatível com a civilidade que deve marcar as relações entre os países.
Durante o evento, Milei voltou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e criticou a decisão de Moraes que negou autorização para que ele visitasse o aliado político. Ao comentar o caso, o presidente argentino afirmou: “Para piorar, o lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso”.
Em resposta, Fachin classificou a declaração como uma “referência desrespeitosa” a um integrante da mais alta Corte do país e ressaltou que a decisão judicial foi tomada de acordo com a Constituição e as leis brasileiras.
“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou o presidente do STF.
Na nota, Fachin também reafirmou a independência do Poder Judiciário brasileiro e lamentou o teor das declarações.
“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, concluiu o ministro.
As declarações de Milei ocorreram durante seu discurso na convenção do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Ao longo da fala, o presidente argentino fez críticas ao governo do presidente Lula (PT), defendeu Jair Bolsonaro e manifestou apoio à candidatura de Flávio.
Veja abaixo a nota de Fachin na íntegra:
“Tomei conhecimento da declaração do Ppesidente da Argentina sobre ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do país, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados.
Luiz Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal.”