DestaqueTrês Lagoas

SOBREVOO! Crônicas de Marcio Ribeiro: A INFÂNCIA É O MEU LABORATÓRIO!

Achava chato quando alguém dizia “quando você vai crescer?”. Ou então que “você dá mais trabalho que uma criança…”. Também pudera ficar tão encabulado. Já era um adolescente… Quem sabe ainda hoje, adulto, ainda pressinta essas frases na mente de meus interlocutores? Mas nem ligo…

Foi lendo o escritor cuiabano e pantaneiro Manoel de Barros, o maior representante da poesia de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que me deparei com suas menções a esse acúmulo de ideias oriundas de sua infância. De sua meninice na fazenda da família advinha sua inspiração: “Esse conhecimento que me fertiliza ainda, até hoje, a minha poesia”, disse certa vez à repórter Cláudia Gaigher durante uma reportagem à Rede Globo de Televisão.

Advogado, Manoel de Barros deixou a profissão para se dedicar à poesia. Morou um tempo em Nova York, no Rio de Janeiro, mas jamais perdeu o jeitinho de menino tímido e inventivo vivenciado durante a infância no Pantanal.

A infância também é o meu laboratório. Doa a quem doer! Tanto que não escrevo sob encomenda. Escrevo para mim! Se o que brota de minha pena incomodar ou tocar emocionalmente alguém, sou o primeiro a ser impactado… Porque a minha tese, a minha biblioteca e o disco rígido de tudo está armazenado em minha feliz e completa infância. Das leituras saborosas, dos tropeços, das cicatrizes, das brincadeiras perigosas, dos doces e desgostos eu sei muito bem, pois estão vivos e se manifestam quando mais preciso em forma de atitude, mesmo imprecisa, no decorrer de meus dias…

Como nem tudo é perfeito, tal constatação requer um preço: o deslocamento instável entre o arquivo acumulado durante a infância e a experiência dos anos vividos… Da calibragem desses dois pêndulos advém o equilíbrio almejado, mesmo distante…

Mas a infância continua sendo o meu laboratório, onde meço a conta gotas a dosagem do “Médico” e domo, à duras penas, a loucura do “Monstro”. Mas o diagnóstico da doença ou da cura está tudo lá, disso não tenho dúvida!

E se alguém ainda hoje me perguntar “quando vou crescer?” ou afirmar que “dou mais trabalho que uma criança”, já tenho uma resposta marota: Esqueçam! Fui forjado assim desde a minha gênese e não vou abandonar a criança que vive em mim para agradar a quem se acha um adulto bem resolvido…

Nesse meu laboratório posso tudo. Menos manipular a minha essência!

FELIZ “DIA DAS CRIANÇAS”. De Todas as Idades…

Crônica do escritor, poeta e servidor público municipal de Três Lagoas Marcio Ribeiro.

OBSERVAÇÃO: A Crônica é um tipo de texto narrativo curto, possui também uma “vida curta”, ou seja, as crônicas tratam de acontecimentos corriqueiros do cotidiano que ‘chamam’ para a discussão de assuntos cotidianos.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios