Enquanto fechamento em massa assusta em MS, Mara resiste em única agência dos Correios em Camisão

Mara está na agência há duas décadas. (Mirian Aveiro, Arquivo pessoal)

Rosimara trabalha na pequena agência há 20 anos
Karina Campos – Logo
Em meio à redução de serviços e ao fechamento de agências dos Correios em Mato Grosso do Sul e outros estados, a pequena unidade de Camisão, distrito de , continua funcionando de segunda a sexta-feira. Há cerca de 20 anos, Rosimara Montenegro Julião, de 55 anos, é quem está à frente do atendimento.

Conhecida como Mara, a funcionária começou a trabalhar na agência em 2006, mas conta que o serviço já existia naquele endereço. Hoje, o prédio evidencia o desgaste do tempo, como a placa dos Correios desgastada, pintura envelhecida e rachaduras na parede. Segundo ela, o espaço foi instalado na época em que Felipe Orro era prefeito de Aquidauana. A proprietária do imóvel foi a primeira atendente da unidade.

Desde então, muita coisa mudou. Rosimara acompanhou mudanças de prefeitos, alterações em outros locais e a redução de serviços tanto na unidade central quanto nas AGCs (Agências Comunitárias dos Correios).

Apesar disso, ela considera o serviço essencial para os moradores do distrito. “É muito importante para a população. Através dela chegam coisas importantes, objetos, informações. Os distritos têm crescido muito. Não creio que possam fechar”, afirma.

Mara acredita que a agência resiste e não irá fechar. (Mirian Aveiro, Arquivo pessoal)

Mudanças

Ao longo dos anos, a agência também acompanhou mudanças na própria comunidade. Rosimara lembra que, no passado, era comum haver pessoas com o mesmo nome, sendo necessário diferenciá-las pelo sobrenome. Com o tempo, muitos moradores deixaram o distrito e outros morreram. Ainda assim, segundo ela, uma característica permanece: “O bom é que todo mundo se conhece”.

As cartas, porém, já não fazem parte da rotina como antigamente. Rosimara diz que dificilmente recebe alguma atualmente e acredita que as pessoas tenham deixado esse hábito de lado. “Como era gostoso você receber uma carta”, recorda.

Hoje, ela trabalha sozinha na unidade, que funciona por meio da prefeitura. Mesmo depois de tantos anos, diz continuar gostando do trabalho. “Em todos esses anos em que estou à frente aqui, amo fazer o meu trabalho”, conclui.

Marcas do tempo na agência de Camisão. (Mirian Aveiro, Arquivo pessoal)

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