Intestino preso: como saber se problema não está no prato, mas na cabeça

Descubra dois casos que travam o intestino, mas por motivos completamente diferentes, e como tratar cada um deles

Se você fica três dias ou mais sem ir ao banheiro, faz muito esforço para evacuar ou as fezes saem duras e em pedaços, você tem constipação. E não está sozinho: estima-se que a prisão de ventre afete entre 12% e 19% da população adulta brasileira, com maior prevalência em mulheres e idosos. Mas aqui começa a parte que a maioria das pessoas não sabe: intestino preso pode ter duas origens bem diferentes, e confundir as duas é o motivo pelo qual tanta gente trata o sintoma errado.
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O tipo mais comum é o fisiológico, que vem do estilo de vida. As causas mais frequentes são baixo consumo de fibras, ingestão insuficiente de água, sedentarismo e uso de certos medicamentos, como analgésicos. A lógica é simples: o intestino precisa de volume, umidade e movimento para funcionar.

Tire qualquer um dos três e o trânsito para. O brasileiro consome em média quatro gramas por dia, sendo que a recomendação da OMS é de 24. Esse déficit aparece exatamente aqui.

O segundo tipo é menos falado, mas muito mais comum do que se imagina: a constipação de origem psicológica.

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Dificuldade para evacuar fora de casa é um fator de risco para constipação intestinal crônica. Quem nunca conheceu alguém, ou foi esse alguém, que só consegue ir ao banheiro em casa? Esse hábito de segurar o sinal do corpo por horas, seja por vergonha, por desconforto no banheiro público ou por simples adiamento, vai treinando o intestino a ignorar o estímulo.

Com o tempo, o estímulo para de chegar com a mesma força. O resultado é constipação que não melhora com fibra nem com água, porque o problema não está no prato.

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Fibras alimentares são carboidratos de origem vegetal não digeríveis pelo intestino humano

Como diferenciar os dois casos na prática? Se o intestino melhora quando você come melhor, bebe mais água e se movimenta, é fisiológico. Se o intestino só funciona em casa, trava em viagens, em períodos de estresse ou quando você está em ambiente desconhecido, o componente psicológico está presente e merece atenção.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida

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