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SOBREVOO! Crônicas de Marcio Ribeiro: DESCENTRALIZAÇÃO!

O centro da cidade era “a cidade”, bem distante dos bairros periféricos. Em muitos municípios interioranos eram necessárias pernadas e mais pernadas ou dois ou três ônibus coletivos (quando havia) para que as “donas de casa” com crianças de colo chegassem até o Mercado, à Mercearia, à Escola dos filhos mais velhos, à Sapataria, à Prefeitura, à Farmácia, à Estação de Trem, ao Posto de Saúde, à Sorveteria, ao Banco de Descontos e de lá visitar a Mãe e Avó que morava do outro lado da cidade… No retorno pra casa, uma nova viagem…

Hoje em dia lhe convido a dar um rolezinho pelo centro de sua cidade em uma manhã qualquer de domingo…

Proponho tal convite porque sempre quando “dá na telha” costumo fazer esse roteiro a pé, não importa a denominação da urbe. Com o chamado das ruas desertas, típicas de um domingo ou feriado, é quando se “redescobre” a região central da “polis”. Toda nua, fria, concreta, com suas vias largas e desertas, o asfalto vira calçada para o transeunte solitário enquanto o vento matinal varre pelo meio fio o lixo produzido durante o corre-corre dos dias anteriores de consumismo…

No itinerário, as placas, letreiros, banners comerciais convidam à apreciação agradável, descompromissada e aleatória das fachadas dos prédios, só interrompida quando a frase “Concerta-se Roupas” desafina o ritmo da leitura…

É verdade que os tradicionais e novos empreendimentos das avenidas e ruas principais ainda subsistem bravamente… É possível perceber as novas construções, reformas e puxadinhos, mas que infelizmente contrastam com alguns pontos comerciais fechados, quarteirões obscuros, placas de Aluga-se ou Vende-se poluindo o visual de incertezas, ladeadas por antigas edificações vítimas do abandono, deterioradas pelo tempo, alojamentos de baratas e animais peçonhentos…

É que o traçado do Centro Comercial de outrora migrou ou está migrando para todas as regiões das cidades, sem exceção. Os bairros, perto ou distante, já possuem seus centros nervosos de compra, venda e serviços… Por isso, o convite para que apreciem o centro de sua cidade ofertando lembranças e reflexões num domingo de manhã…

Essa descentralização passa também por outras vias… Virtuais; novos tempos de fibra ótica, antenas de celulares, I food, delivery, aplicativos de compras online sepultando expressões como “vou ao centro e já volto….”. Com a chegada do “PIX” essa constatação ficou ainda mais evidente. Assim como os talões de cheque levaram um xeque-mate das transações financeiras, serviços de transferência como DOC e TED poderão ser deletados porque o PIX promete ser mais eficaz e econômico. Outro impacto poderá ocorrer contra os pagamentos feitos por cartão de débito. Frase como “vou ao Banco” também está com os dias contados? As agências bancárias dirão “pix esconde” para sempre?

Nessa visão (já quase saudosista), sem a efetividade dos bancos como os conhecemos localizados tradicionalmente na região central, o que será do comércio nestas áreas, dos Correios (em vias de privatização), dos meios de transporte, dos vendedores ambulantes, das praças e dos pombos à espera de migalhas?

Sei. Um tanto pessimista… Mas é que estamos digitando e edificando um futuro, já presente, situado no centro das linhas da palma de nossas mãos: o celular, a nossa nova digital!

Antes que se transforme em um mero Centro Histórico, dê um rolezinho numa manhãzinha de domingo pelo Centro Comercial de sua cidade…

Crônica do poeta, escritor e servidor público municipal de Três Lagoas Marcio Ribeiro

OBSERVAÇÃO: A Crônica é um tipo de texto narrativo curto, possui também uma “vida curta”, ou seja, as crônicas tratam de acontecimentos corriqueiros do cotidiano que ‘chamam’ para a discussão de assuntos cotidianos.

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