Rebelião do PCC (Primeiro Comando da Capital) em presídio de Junqueirópolis em maio de 2006
Brasil, Junqueirópolis, SP, 14/05/2006. Rebelião na Penitenciária de Junqueirópolis, em São Paulo, neste domingo (14). Os guardas da muralha dispararam para evitar uma possível fuga dos rebelados. O motim começou às 7 horas de hoje, quando familiares entravam para a visita. Os rebelados subiram no telhado e prenderam faixas na caixa d´água, com os dizeres: “PCC, paz, justiça e liberdade” e “Contra a Opressão”. – Crédito:ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:167676
O conjunto de propostas cobre praticamente todos os ângulos do problema
- Por Bruno Pinheiro
Levantamento exclusivo da Jovem Pan junto ao Sistema de Informações Legislativas da Câmara dos Deputados mostra que 314 propostas sobre facções criminosas estão em tramitação na Casa. O número revela uma agenda represada que vai de projetos de 2006 a propostas apresentadas este ano e que, apesar do volume, não resolveu ainda o ponto mais espinhoso do debate: enquadrar as facções como organizações terroristas. Isso coube aos Estados Unidos fazer, ontem.
O conjunto de propostas cobre praticamente todos os ângulos do problema. Há projetos para proibir a separação de presos por facção dentro das cadeias, prática que segundo especialistas fortalece a hierarquia das organizações. Há propostas para criminalizar a expulsão de moradores de suas casas por traficantes e milicianos, punir a cobrança ilegal de taxas do crime a comerciantes e tipificar o uso de drones armados por organizações criminosas. Alguns deputados querem tornar inelegível qualquer político com vínculo comprovado a facções. Outros propõem suspender benefícios sociais de integrantes do crime organizado.
O mais recente avanço concreto foi a Lei Antifacção, sancionada por Lula em março, que define facção como grupo de três ou mais pessoas que use violência para controlar territórios e retira benefícios como anistia e liberdade condicional de lideranças. Avanço real, mas a lei parou antes da palavra “terrorismo”.
O Departamento de Estado americano designou ontem o PCC e o CV como organizações terroristas, com vigência a partir de 5 de junho. A decisão veio dois dias após uma reunião entre Flávio Bolsonaro e Trump na Casa Branca, encontro que não constava da agenda oficial do presidente americano. Em maio do ano passado, Washington já havia pedido ao Brasil que fizesse o mesmo enquadramento. O governo Lula recusou.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.