Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Foto: Divulgação
O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro
Por Da IstoÉ
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 16, na quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Ao todo, os agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A ação investiga esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.
O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Master sem lastro. Segundo uma fonte informou à IstoÉ, também foi alvo de prisão um advogado ligado a Costa, em São Paulo.
A terceira fase da operação havia sido deflagrada no dia 4 de março de 2026 e resultou na prisão de Vorcaro, depois de a investigação detectar diálogos nos quais ele ordenava ataques a adversários e tinha uma espécie de milícia armada. Atualmente, o dono do Master negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Quem é o ex-presidente do BRB
Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição financeira.
O BRB é um banco público controlado pelo governo do DF. A instituição financeira aparece no caso Master por, também, ter realizado operações que estão sob investigação.
A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. O Banco Central, no entanto, vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.
Além disso, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. Ainda de acordo com os autos, Costa defendeu a compra do Banco Master como uma solução para a crise da instituição privada.
Em depoimento ao STF (Supremo Tribunal Federal), Costa afirmou que parte dos valores pagos ao Master não teria sido recuperada após a liquidação. A PF investiga se esse montante corresponde ao prejuízo efetivo e se houve responsabilidade criminal ou administrativa.