A conversa de Vorcaro com Moraes no dia da sua prisão é estarrecedora

De todos os conteúdos do celular de Vorcaro, o mais grave até agora é o da troca de mensagens com Moraes no dia da sua primeira prisão

O STF vive um momento capital: ou se depura dos ministros envolvidos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ou não poderá mais ser considerado uma instituição republicana, com consequências nefastas para o país.

De todos os conteúdos do celular de Vorcaro que vieram a público até agora, o mais revelador, o mais grave, o mais imoral, o mais estarrecedor, e tudo é muito revelador, grave, imoral e estarrecedor, é o da troca de mensagens entre o dono do Master e o ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do responsável pela maior fraude financeira da história brasileira.

A provar a gravidade dessa troca de mensagens, tanto Vorcaro como Moraes tentam fazer crer que a conversa não passa de uma falsificação, sabe-se lá de quem. É ato desesperado de quem se vê encurralado pela verdade, nada além da verdade.

A troca de mensagens foi publicada pela coluna da jornalista Malu Gaspar, que teve acesso ao material apreendido pela Polícia Federal.

“Vorcaro relata que antecipou o negócio e que conseguiu salvá-lo, embora não fosse do jeito que ele queria. Também menciona um vazamento que ‘será péssimo, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo’. Duas vezes, durante o dia, ele pergunta a Moraes se tinha alguma novidade, e ainda questiona: ‘Conseguiu bloquear?’”, escreve a jornalista.

Eles tinham a exata noção de que o contato entre ambos deveria se manter clandestino. Tanto é que Vorcaro e Moraes escreviam nos blocos de notas dos seus celulares, faziam prints e enviavam o texto como imagens de visualização única.

Aliados à descoberta dos vários encontros que Vorcaro e Moraes tiveram, os diálogos mostram que a relação entre os dois era bem mais estreita do que se supunha.

A demonstrar a proximidade entre ambos, descobriu-se também que o ministro vetou a participação de Joesley Batista, dono da J&F, em um evento patrocinado por Vorcaro, em Londres, porque “era o magistrado que dava a última palavra sobre os convidados pelo ex-banqueiro, como mostram diálogos do celular dele enviados pela PF à CPI do INSS”, diz a Folha.

Por que o dono do Master se sentia na obrigação de prestar contas ao ministro sobre a tentativa de venda do Master no dia da sua prisão? A que Vorcaro estava se referindo quando pergunta a Moraes se ele havia conseguido “bloquear”? São questões que não podem ficar sem resposta.

Se as investigações prosseguirem no seu curso normal, poderá vir à tona, por exemplo, que os R$ 129 milhões do contrato assinado entre o Master e o escritório da mulher do ministro não eram exatamente por serviços advocatícios.

Até o presente, o conteúdo do celular de Vorcaro traz relativa abundância de referências a Moraes, bem como conversas com ele, mas a doutora Viviane Barci de Moraes, a quem o dono do Master pagaria uma bolada inédita na advocacia brasileira, não tivesse sido o banco liquidado, não aparece em instante algum como interlocutora ou protagonista de um episódio importante. É como se a advogada contratada a peso de ouro não existisse no radar de Vorcaro.

Sempre no caso de as investigações não sofrerem nenhuma intervenção indevida, à margem do Estado de Direito, poderá ser revelado ainda que, ao perguntar ao ministro se ele havia conseguido “bloquear”, Vorcaro estava falando da ordem de prisão da qual era alvo — e aí poderia estar indicada uma tentativa de obstrução de justiça da parte de um integrante da mais alta corte do país.

Fazer tais ilações diante do material probatório é absolutamente legítimo, assim como é inevitável ter a convicção de que o Supremo Tribunal Federal vive um momento capital. A república brasileira vive.

Que Deus continue a guiar o ministro André Mendonça, porque ele foi o escolhido pela Providência Divina para trazer toda essa sujeira à luz do sol.

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