Senador Eduardo Girão (NOVO-CE). (Foto: Reprodução).
Senador aciona a PGR e aponta possível conflito de interesses na relatoria do STF
Pedro Taquari –
O senador Eduardo Girão (NOVO–CE) apresentou nesta semana à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma nova representação solicitando o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria das investigações envolvendo o Banco Master.
No pedido, o parlamentar sustenta que novos elementos divulgados recentemente reforçam indícios de possível conflito de interesses por parte do ministro, o que poderia comprometer a imparcialidade exigida no caso.
Girão cita, entre os pontos questionados, vínculos indiretos entre Toffoli e o resort Tayayá, localizado no interior do Paraná, um dos focos das alegações de conflito.
Segundo o senador, essas relações, ainda que não indiquem crime, exigem uma análise técnica que afaste dúvidas e assegure que o juiz natural seja imparcial e não guardem qualquer interesse que possa macular a condução do processo.
O novo pedido protocolado nesta semana é o quarto encaminhado à PGR por parlamentares da oposição desde dezembro de 2025.
Representações anteriores, que tratavam de outros aspectos como uma viagem do ministro acompanhado de advogado ligado ao caso, foram arquivadas ou integradas ao conjunto de representações em análise pela Procuradoria-Geral.
Em sua manifestação, Girão argumenta que determinadas decisões adotadas por Toffoli no inquérito (como a forma de tratamento dos materiais apreendidos pela Polícia Federal e o sigilo imposto a partes da investigação) são atípicas e merecem escrutínio rigoroso.
Para o senador, a manutenção do ministro no comando do processo, diante das possíveis conexões levantadas, pode gerar insegurança jurídica e percepção de falta de equidistância entre as partes investigadas e a autoridade responsável pela relatoria.
O pedido agora será analisado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que tem a prerrogativa de decidir se oferece ou não uma ação de impedimento perante o STF.
A PGR já confirmou que as representações apresentadas estão em processo de apuração, sem prazo definido para uma conclusão ou manifestação final.
Paralelamente, setores do Congresso ampliaram a ofensiva institucional contrária à atuação de Toffoli no caso, com protocolos de pedido de impeachment e representações junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por supostas irregularidades na condução do mesmo inquérito.
A mobilização entre parlamentares da oposição sinaliza uma disputa crescente em torno do rumo das investigações sobre o Banco Master e a conduta de autoridades públicas, colocando o debate de transparência e conflitos de interesse no centro da agenda política nesta etapa do caso.