Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. (Foto: Reprodução/Governo de SP).
Ausência de liderança do Brasil contribuiu para o colapso do regime, diz ele
O governador criticou duramente a postura do governo Lula (PT) diante da crise venezuelana e defendeu uma atuação mais pragmática e protagonista do Brasil na região.
Ao comentar o fim do regime chavista, Tarcísio afirmou que a Venezuela viveu, ao longo de décadas, um processo contínuo de deterioração institucional. Segundo o político, os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro se sustentaram por meio do autoritarismo, da fraude eleitoral e de uma relação permissiva, ou até associativa, com o narcotráfico, o que classificou como uma “chaga da América Latina”.
Para o governador, a deposição de Maduro encerra um dos ciclos mais negativos da história venezuelana e abre espaço para a retomada das liberdades individuais, da prosperidade econômica e do crescimento. As afirmações foram feitas em entrevista ao Estadão.
“A Venezuela era um país próspero, com uma das maiores rendas per capita da região, e entrou em uma rota de empobrecimento, perda de liberdades e êxodo populacional sem precedentes”, afirmou. De acordo com Tarcísio, cerca de 25% da população deixou o país, em um dos maiores deslocamentos da história moderna, proporcionalmente falando.
O governador também criticou a reação do governo Lula à operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro. Enquanto o Planalto rechaçou a ação em nome da soberania e da autonomia dos países latino-americanos, Tarcísio avaliou que a medida foi consequência direta da omissão regional, especialmente do Brasil.
“É possível criticar os meios, a legitimidade da operação. Mas o fato é que algo precisava ser feito e foi feito”, afirmou. Na avaliação do governador, a ausência de liderança brasileira ao longo dos últimos anos fez com que a mudança de regime ocorresse de forma mais traumática.
Tarcísio também comentou o apoio majoritário de países sul-americanos à operação americana, destacando que há, atualmente, uma “onda política mais à direita” na região e um consenso crescente de que o regime de Maduro era insustentável e prejudicial não apenas à Venezuela, mas a todo o continente. Nesse contexto, classificou como “lamentável” a posição contrária adotada por Brasil e Colômbia, o que, segundo ele, contribuiu para o isolamento diplomático brasileiro.
No campo das relações bilaterais, Tarcísio afirmou não acreditar em prejuízos permanentes entre Brasil e Venezuela após a queda de Maduro. Contudo, criticou o que chamou de “patrocínio político” dado por governos brasileiros de esquerda ao regime chavista ao longo dos anos. Para o futuro, defendeu pragmatismo: o Brasil deveria reconhecer rapidamente o novo governo venezuelano, desde que legítimo e democrático, e atuar como parceiro na reconstrução do país.
Segundo o político, a Venezuela deverá se tornar um dos principais destinos de investimentos na região, especialmente na reconstrução de infraestrutura e na retomada de setores estratégicos, como o energético.